José Lino Souza Barros

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Isolamento social

Do cronista JJ Camargo

29/04/2020 às 11:11
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Um pouco de bom humor para mitigar o distanciamento. Se cada vez que "isolamento social" fosse citada na televisão uma pessoa resultasse imunizada da covid-19, a pandemia já teria sido controlada. E isso que ela, a expressão, só começou a ser usada depois que os interlocutores do Ministério da Saúde cansaram de traduzir para o povão o que queria dizer, o lockdown.

Aliás, os boletins iniciais eram mais sofisticados, porque estávamos empenhados em flatten the curve, mesmo que para isso fosse necessário o tal lockdown. E para reduzir as idas ao mercado para comprar comida, recomendava-se os pedidos on delivery. Não durou uma semana e o nível despencou, segundo um técnico em saúde: - Vamo lá, gente, o álcool é pra passá na mão, não pode bebê, cada um deixe de frescura e prepare a sua comida, e se amontuá para fazê fofoca, a curva vai empiná, e aí ferrou, de vez!

Mas, falando sério, quando se vê o efeito na vida das pessoas de uma parada forçada de várias semanas, se entende, melhor do que nunca, o quanto a nossa rotina, por nos tornar mais previsíveis, era acalentadora e generosa, permitindo-nos que nos queixássemos dela sem revide, quando nem sonhávamos que um dia tê-la de volta passaria a ser o apelo máximo de uma geração temerosa desse inimigo que, por ser invisível, assusta mais. (...)

Mas como as pessoas, por santa ventura, são diferentes, sobrevivem os criativos, que, preservando o bom humor, mantêm a moral da tropa numa espécie de platô, simulando aquela curva que o ministro tem mostrado com a mão, como modelo de ambição para este abril despedaçado. Selecionei uns memes capazes de colocar algum riso na cara de quem perdeu o hábito, depois que até o botequim fechou:

"De tanto conversar com a minha mulher, descobri que ela é uma boa pessoa."
"Já fiz muita coisa escondido, mas trabalhar é a primeira vez."
"Se você achar que está começando a entender sua esposa, não se assuste. Isto é a Síndrome de Estocolmo."
"Quando isso terminar, quero ficar uns 15 dias sem aparecer em casa." (...)

Que este senso de humor nos preserve na espera por novos velhos tempos em que poderemos, outra vez, recuperar as mãos como instrumentos de afeto, e não mais como conchas para o álcool gel.

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