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Problema no INSS transforma vida de milhões em martírio: ‘Viraram as costas para a população'

Por Redação , 19/02/2020 às 09:31
atualizado em: 19/02/2020 às 14:25

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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Mais de dois milhões de brasileiros estão na fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em busca de aposentadoria, outros benefícios e serviços. No entanto, muitos sequer conseguem marcar atendimento. Dados do INSS mostram que os mais prejudicados são pessoas de baixa renda e aqueles que buscam aposentadoria ou benefícios para idosos e deficientes em situação de miséria. 

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Para advogados previdenciários, a corrida às agências do INSS provocada pós-reforma da Previdência e a diminuição do quadro de funcionários têm relação direta com o caos do sistema. O governo Bolsonaro chegou a anunciar reforço no atendimento, mas o projeto ainda não saiu do papel. Enquanto isso, o pobre sofre e continua a peregrinação em busca de um direito. A reportagem da Itatiaia percorreu agências do INSS da capital para mostrar o drama dos trabalhadores, muitos que já dedicaram a maior parte da vida ao país e agora tem sequer atendimento digno. 

Deficiente, o marido da professora Maria do Rosário, 52 anos, já tem 29 anos de contribuição e não consegue se aposentar. “Cada dia eles marcam para uma agência diferente. A agência agora diz que não veio médico, pela terceira vez”, diz a esposa, que buscava explicação no posto do INSS da rua Pitangui, no bairro Horto, lado Leste da capital. 

Já o aposentado Remir José Teixeira, 68 anos, teve o benefício suspenso há dois anos sem qualquer justificativa ou aviso prévio. Somente para conseguir agendar o atendimento, ele demorou três meses. “Falaram que não tem funcionário e que militares vão entrar”.

Também aposentado, Francisco Alves Silva, 61 anos, busca no INSS a isenção da cobrança do imposto de renda, direito garantido por lei. Ele conta que o primeiro agendamento demorou seis meses.  Apesar disso, não culpa os funcionários do INSS, mas responsabiliza o governo federal.

“Acho excelente o atendimento do INSS, acho excelente a resolução do INSS. O que tem por trás disso é uma política desse governo Bolsonaro, de destruir o serviço público por dentro para colocar a população contra. Aí você vem aqui, você é da mídia, e eu falo mal do INSS. Os profissionais estão sendo massacrados, estão sendo destruídos, são pessoas excelentes. (O problema) é a política adotada pelo governo, que está virando as costas para a população”, conclui.

Afastada sem receber 

A situação da universitária e recepcionista Fernanda Soares, 36 anos, também chamou a atenção da reportagem da Itatiaia. Afastada do trabalho por questões médica, ela busca auxílio-doença há 1 ano. “Tem seis meses que não consigo (agendar). Remarca, desmarca e nunca dá certo. Estou afastada pela médica e sem receber dos dois lados. Eles falam que é um problema no sistema, enrolam”, lamentam. 

Falta de preparo 

Para o advogado previdenciário Marcelo Barroso, o governo Bolsonaro e o INSS não se preparam para a reforma da previdência. Ele diz que nem a simulação de cálculo no site do INSS está mais disponível. “Todas as regras foram alteradas e não foi mais possível fazer essa simulação. E também os servidores do INSS não estavam preparados e nem capacitados para isso. Não houve tempo hábil, a verdade é essa. Soma-se a isso, o aumento de pedidos e a diminuição do número de servidores do INSS. Isso criou um caos”, diz o advogado, que calcula 1 ano para o fim da fila. 

Para o advogado, a contratação de militares para reforçar o quadro do INSS não vai resolver o problema, porque trata-se de um trabalho que precisa de mão de obra específica. 

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